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Ortopedia Horst Waver
“ Se a lesão tivesse atingido a medula, Fittipaldi provavelmente estaria paraplégico", diz o ortopedista Horst Wever, da Universidade Federal de São Paulo.
O adeus do campeão
Emerson Fittipaldi sobrevive ao acidente mais grave de sua vida, coloca uma prótese na coluna e decide encerrar a carreira

A primeira reação do piloto Emerson Fittipaldi quando voltou da cirurgia de reconstituição de sua sétima vértebra foi se certificar dos movimentos das mãos e dos pés. Em seguida, veio a pergunta ao médico Barth Green sobre os riscos de ficar paralítico. Com a negativa, o brasileiro suspirou e reagiu como um garoto de 18 anos: "Volto a correr ainda este ano." O episódio ocorreu na sala de recuperação do Jackson Memorial Hospital, em Miami, onde Emerson foi operado depois do acidente que sofreu nas 500 milhas de Michigan, realizada no domingo 28. na quinta-feira 1º, porém, ele cedeu à maturidade de seus quase 50 anos e decidiu encerrar a carreira. "Não preciso mais correr riscos", diz Emerson. De fato, ele escapou por pouco. O acidente aconteceu na 12ª etapa do campeonato mundial de fórmula Indy, quando na segunda volta a Forsythe do piloto canadense Greg Moore tocou a parte traseira de sua Hogan Penske. A quase 300 km/h, o bólido se chocou contra o muro e o piloto teve, além da vertebra esmagada, uma lesão no pulmão esquerdo, inchaço na bexiga, duas costelas e ombro esquerdo quebrados. "Se a lesão tivesse atingido a medula, Fittipaldi provavelmente estaria paraplégico", diz o ortopedista Horst Wever, da Universidade Federal de São Paulo.

Na segunda-feira 29 o piloto se submeteu a uma cirurgia para a colocação de uma prótese na sétima vértebra. Ao mesmo tempo, teve o pulmão e a bexiga drenados para retirar o excesso de sangue e líquido. O acidente reacendeu a discussão sobre a segurança na Indy. O canadense Greg Moore, protagonista do desastre de Michigan, foi crucificado. O único que saiu em sua defesa foi o brasileiro Gil de Ferran. "Estão querendo arrumar um culpado. Ninguém deve ser condenado por uma coisa que pode acontecer com qualquer um."

Sucesso em alta velocidade

Lotus
Emerson estreou na F-1 em 1970 pilotando uma Lotus. Dois anos depois, com 25 anos, tornou-se o mais jovem campeão da categoria. Derrotou um dos maiores mitos do automobilismo, o escocês Jackie Stewart

McLaren
Em 1974, disputou o mundial com uma McLaren e conquistou novamente o campeonato. No ano seguinte, terminou a temporada em segundo lugar e iniciou os contatos para montar sua própria escuderia.

Copersucar
Em 1976, com o irmão Wilsinho, montou a Copersucar. A primeira equipe brasileira na Fórmula 1. Foi um fracasso tão grande, que sepultou as finanças da família. O sonho de dirigir seu próprio time custou ainda o fim de sua carreira na Europa.

Penske
O retorno às pistas veio em 1984 nos Estados Unidos, na Fórmula Indy. Sua estréia foi na pequena equipe Marlboro Patrick Racing. Cinco anos depois, correndo para Roger Penske, o piloto brasileiro conquistou o campeonato da categoria.

Hogan-Penske
Nesta temporada, Emerson estava em 13º lugar no campeonato, com 29 pontos. Corria com um novo carro, o Hogan-Penske. O acidente vai deixá-lo praticamente fora do campeonato. Mas, o brasileiro promete voltar a correr em dezembro.

Como foi a cirurgia

Duas placas de titânio substituíram a vértebra atingida e imobilizaram parte da coluna do piloto

O acidente provocou um esmagamento na sétima vértebra, a última do pescoço, mas não atingiu a medula. Os médicos removeram os fragmentos da vértebra através de um corte de oito centímetros feito na base frontal do pescoço.

Retirou-se um pedaço do osso da bacia que foi enxertado na coluna, junto com osso de um doador, para servirem de base para as placas de titânio. Por último foram colocadas as placas que imobilizaram três vértebras da coluna do piloto


Reportagem de CARLA GULLO E DARCIO OLIVEIRA – Revista ISTOÉ 7/08/96

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